Bla, bla, bla. Bla, bla, bla... bla, bla, bla, bla, bla, bla.
Parole, parole, la, la, la, la, la.
Bla, bla, bla? Bla, bla!
Estou cansada de tanto pensar, de tanto falar, de tanto escrever, de tanto me expor, de tanto comer, de tanto arrumar, de tanto trabalhar, de tanto pagar, de tanto procurar, de tanto não encontrar... a solução.
T.
Punto Cero/Second Life
"The trouble with life isn't that there is no answer, it's that there are so many answers." - Ruth Benedict
Domingo, 4 de Março de 2012
Quinta-feira, 1 de Março de 2012
Saudável, pois com certeza
Sempre fui saudável e, por muito estúpido que possa parecer, acho que ainda sou. O facto de ter um cancro em estado avançado e já cá andar há três anos e meio a trocar-lhe as voltas e a manter-me viva e ativa, só vem provar que tenho alguma razão. Para mim, um cancro nem é bem uma doença, vejo-o mais como um tiro na cabeça que, quando não mata logo, nos deixa, inevitavelmente, em algum grau de debilidade, do pior ao menos mau.
O que me aconteceu foi mais isso: levei um balázio entre as orelhas e nunca mais me irei recuperar totalmente. Com sorte, mantive-me viva e, porque sou e sempre fui um cavalo de saúde, resisti e recuperei do pior.
Quem olhe para mim e não saiba, nunca, mas nunca, adivinhará os destroços de guerra que escondo cá dentro: são vários ossos desfeitos, um fígado intoxicado, uma mama perdida, ovários aniquilados, um coração partido, um cérebro que um dia já pensou com mais clareza e uma mente que já foi mais feliz.
Mas continuo viva e, acreditem, forte e saudável que nem um pêro. Só mesmo outra bala, e desta vez certeira, me poderá deitar abaixo. Aproveito para deixar um recadinho ao assassino: não vai ser fácil, meu menino.
T.
O que me aconteceu foi mais isso: levei um balázio entre as orelhas e nunca mais me irei recuperar totalmente. Com sorte, mantive-me viva e, porque sou e sempre fui um cavalo de saúde, resisti e recuperei do pior.
Quem olhe para mim e não saiba, nunca, mas nunca, adivinhará os destroços de guerra que escondo cá dentro: são vários ossos desfeitos, um fígado intoxicado, uma mama perdida, ovários aniquilados, um coração partido, um cérebro que um dia já pensou com mais clareza e uma mente que já foi mais feliz.
Mas continuo viva e, acreditem, forte e saudável que nem um pêro. Só mesmo outra bala, e desta vez certeira, me poderá deitar abaixo. Aproveito para deixar um recadinho ao assassino: não vai ser fácil, meu menino.
T.
Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2012
u-turn
De há uns tempos para cá tenho andado uma lástima, quase sempre chateada, azeda e stressada até à medula e sem vontade de fazer nadinha de jeito. E cansei-me disso. Hoje, pensei em virar o bico ao prego e seguir por outra direcção. Vou tentar alegrar o meu interior contabilizando generosamente algumas pequenas alegrias que vão surgindo e ver se a coisa passa cá para fora (sem ser em forma de borbulhas, as malditas).
Mas não ficar já muito excitada de felicidade, vou-me deitar, que amanhã o dia começa com picas!
Beijocas, malta.
Obrigada por ainda passarem por cá.
T.
Mas não ficar já muito excitada de felicidade, vou-me deitar, que amanhã o dia começa com picas!
Beijocas, malta.
Obrigada por ainda passarem por cá.
Sábado, 25 de Fevereiro de 2012
No self-pity, sua burra
A nova foto do blogue adiantou-se uns dias à sua explicação. É uma burra, sim, e minha conhecida (e por acaso tem o nome da minha filha). Escolhi esta foto porque me identifiquei com ela, já que eu também sou uma burra.
Uma burra que fala pelos cotovelos mas que se cala naquilo que mais lhe custa aceitar que lhe façam ou digam e depois explode quando não deve; uma burra grande em tamanho mas que se encolhe perante ratos que a assustam; uma burra que sabe a quem devia dar ouvidos e quem, por outro lado, deveria ignorar olimpicamente, mas não faz nem uma coisa nem a outra; uma burra que não arranja tempo para a filha e para os amigos que mais a mimam porque quando não está a trabalhar está a descansar para ir trabalhar; uma burra que está há dois meses sem agenda no telefone e não sabe quem lhe liga nem a quem ligar de volta; uma burra que não vai ao ginásio (que paga), não faz exercício físico, não come o que deve nem deixa de comer o que não deve, uma burra em tantas coisas...
E uma burra com os nervos em franja, sem coragem para sequer falar num tal assunto que lhe tira o sono e nem sequer é a maldita doença.
Quando se tem um cancro, devia ser proibido ter-se mais algum problema na vida. Muito menos, dois.
T.
Detesto quando suspeito de que me assemelho a uma pobre diaba com peninha de si própria. No self-pity for me, peço-me amiúde. Pleeeease, não sejas burra!
Uma burra que fala pelos cotovelos mas que se cala naquilo que mais lhe custa aceitar que lhe façam ou digam e depois explode quando não deve; uma burra grande em tamanho mas que se encolhe perante ratos que a assustam; uma burra que sabe a quem devia dar ouvidos e quem, por outro lado, deveria ignorar olimpicamente, mas não faz nem uma coisa nem a outra; uma burra que não arranja tempo para a filha e para os amigos que mais a mimam porque quando não está a trabalhar está a descansar para ir trabalhar; uma burra que está há dois meses sem agenda no telefone e não sabe quem lhe liga nem a quem ligar de volta; uma burra que não vai ao ginásio (que paga), não faz exercício físico, não come o que deve nem deixa de comer o que não deve, uma burra em tantas coisas...
E uma burra com os nervos em franja, sem coragem para sequer falar num tal assunto que lhe tira o sono e nem sequer é a maldita doença.
Quando se tem um cancro, devia ser proibido ter-se mais algum problema na vida. Muito menos, dois.
T.
Detesto quando suspeito de que me assemelho a uma pobre diaba com peninha de si própria. No self-pity for me, peço-me amiúde. Pleeeease, não sejas burra!
Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2012
Punto 000000
Começo a sentir conforto na zona zero da nova realidade. Desde que, em agosto, tive os primeiros sinais do regresso da doença, que vivo num verdadeiro alvoroço emocional e, algumas vezes até um pouco mais do que isso, já que não é fácil compensar a rotina obrigatória pelas dezenas de horas mensais que dispenso à nobre área da medicina, em especial à não menos distinta arte-de-saber-estar numa qualquer sala de espera de hospital.
Os resultados conjuntos do PET do mês com as análises da semana voltam a dar um condescendente nim, enquanto um diz que não vê nada de novo e as outras insistem em valores que indiciam agravamento da maleita. Tem sido assim, felizmente. Tantas vezes que começa a parecer normal.
Estou a entrar numa perigosa zona de conforto em que, mal aqueça o lugar, posso ser logo expulsa e sentir o peso da derrota. Mas não sei o que mais fazer. Manter-me alerta e estar pronta para o pior, não resulta, até porque o pior não chega e mesmo uma boa descrente se cansa de não acreditar.
Acreditar que tudo vai correr bem quando o cenário é este, também não me parece uma opção muito inteligente e temo que, ao escolhê-la, me ponha a jeito para uma grande desilusão.
O que me resta? Pouco. Apenas voltar ao início do texto, ou rematá-lo em pescadinha de rabo na boca: sentir-me bem nesta simpática estaca zero. Começa a acontecer... (que medo...)
Beijos.
T.
Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2012
Viver na incerteza. (Quando aprenderei?)
Preciso de respirar fundo e sentir alívio, um qualquer. Desde agosto que não respiro fundo, não relaxo, não dou uso aos pulmões. Por incrível que pareça nem para berrar ou chorar como um bebé recém-nascido. Nadinha.
Sinto-me a sobreviver no meio de consultas, exames, muitas análises (muitas mesmo) médicos a abrirem e fecharem a boca, talvez a dizerem algo importante, não sei, já nem ouço tudo (até porque continuo a perceber tão pouco) e muitas, muitas preocupações que, bem analisadas, têm sido maiores do que as dores.
Por falar em dores, das físicas, não tenho, e energia não me tem faltado a não ser aquela que a preguiça chama a si e que o corpo vai exigindo cumprir, mas coisa pouca.
E assim se vai morrendo viva, com um cancro escondido a matar a saúde que parece boa mas já não é, a consumir um tempo que podia ser feliz mas também já não é, a matar a esperança que é tão vã, que existe num minuto e deixa de existir no outro, ao sabor do vento que passa... Já para não falar do dinheiro que se gasta em tratamentos e sonhos, em que o Estado não acredita, e me saem, sem fantasia, do bolso.
Em suma, ainda estou viva mas já não sou livre. Nem de pular e saltar, de correr e nadar, de não ir ao médico se me apetecer, de recusar outra análise, de não procurar mais alternativas para me tratar, de não pagar o que é demais, de apenas parar para descansar... Pois se nem sequer sou livre de respirar fundo e relaxar...
Agora aguardo o resultado do PET e com ele, das duas uma, ou vem chatice ou o resultado desejado: mais incerteza. E, se bem percebo, este furacão só vai passar quando esta história acabar.
É caso para rematar em grande estilo: xiça!
T.
Sinto-me a sobreviver no meio de consultas, exames, muitas análises (muitas mesmo) médicos a abrirem e fecharem a boca, talvez a dizerem algo importante, não sei, já nem ouço tudo (até porque continuo a perceber tão pouco) e muitas, muitas preocupações que, bem analisadas, têm sido maiores do que as dores.
Por falar em dores, das físicas, não tenho, e energia não me tem faltado a não ser aquela que a preguiça chama a si e que o corpo vai exigindo cumprir, mas coisa pouca.
E assim se vai morrendo viva, com um cancro escondido a matar a saúde que parece boa mas já não é, a consumir um tempo que podia ser feliz mas também já não é, a matar a esperança que é tão vã, que existe num minuto e deixa de existir no outro, ao sabor do vento que passa... Já para não falar do dinheiro que se gasta em tratamentos e sonhos, em que o Estado não acredita, e me saem, sem fantasia, do bolso.
Em suma, ainda estou viva mas já não sou livre. Nem de pular e saltar, de correr e nadar, de não ir ao médico se me apetecer, de recusar outra análise, de não procurar mais alternativas para me tratar, de não pagar o que é demais, de apenas parar para descansar... Pois se nem sequer sou livre de respirar fundo e relaxar...
Agora aguardo o resultado do PET e com ele, das duas uma, ou vem chatice ou o resultado desejado: mais incerteza. E, se bem percebo, este furacão só vai passar quando esta história acabar.
É caso para rematar em grande estilo: xiça!
T.
Terça-feira, 31 de Janeiro de 2012
Telecomandada
Tudo é possível. É o que se diz. Eu também acho. Tudo é possível, sim: a sorte ou o azar, a saúde ou a doença, a felicidade aos pedacinhos ou a ausência total dela. Tem-me calhado de tudo e assim deverá continuar a ser até ao fim das curvas sinuosas. Ainda serei muito feliz e também sofrerei dores, de variadas tonalidades e sentidos.
Agora, o que não é mesmo verdade é que as múltiplas possibilidades do "tudo é possível" estejam sob a minha alçada. Não tenho nada a ver com isso. O destino até pode dizer-se meu mas não vou ao leme, não o conduzo, não o influencio, não sou dona dele, muito menos uma amiga.
A quem acha que pode controlar o seu próprio destino, recomendo uma revisão urgente da matéria.
Não me culpo, não me culpem, não se culpem. Se comi demais, também fumei e bebi de menos, se por vezes fui sedentária, acabei por ser também mais activa do que a maior parte das pessoas que conheci e o meu estilo de vida, sem ter sido o mais saudável esteve longe de não o ser de todo. De genética, não poderia estar mais bem servida. Se a força de vontade tem voto na matéria, a minha determinação mantém-me em jogo.
Tinha de ser, é o que é. Anda é alguém a brincar com o meu comando.
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