terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Quebra de audiências

Ter um blogue é bom. Às vezes é divertido, outras é relaxante, tem sido com frequência inspirador de pensamentos positivos, muito provavelmente a sua missão principal. Mas também pode ser decepcionante, quando não se consegue alimentá-lo com qualidade ou cativar o público-alvo. E como me é familiar esta tarefa, a de captar leitores, suscitar-lhes a vontade de nos conhecerem, depois, convidá-los a ficar, porque sim, porque o que temos para oferecer é, senão bom, pelos menos interessante ou curioso. É esse o meu mundo, o do entretenimento, da curiosidade, do insólito, do chocante, do horror (esta é para a Rita), da ficção ou da realidade marginal. O patamar da informação, da opinião, da cultura, da economia ou da ciência foi reservado a outros tarefeiros, só aparentemente com a mesma profissão... Não estou a queixar-me (talvez só um bocadinho) mas a compreender que, mesmo para escrever um blogue, é preciso ter a responsabilidade de lhe dar conteúdo. Ou corremos o risco de ficar sem leitores, que tanto trabalho deram a conquistar e a manter.

E agora, passada a fase do choque da doença, entramos num período negro da história deste blogue. O seu maior desafio: renovar-se. Pelo menos enquanto não há notícias piores, daquelas que atraem os vários públicos. E não me digam que não é assim porque sei muito bem que isso é verdade. Nada vende mais do que a desgraça, e eu aqui, sem más notícias, a dar voltas a cabeça para vos agarrar pelo coração.
Já não escreve o meu pai, o Jota, a Cláudia, o Luís, a Marcela, nem sequer as minhas Rita e João Guerra, entre outros desmotivados... Como recuperá-los?
É a minha sina, na saúde ou na doença, sempre a trabalhar na mesma coisa. Bom, rendo-me, vou fazer um plano de edição, contratar colaboradores, marcar reuniões. Alguém dá ideias? Abre-se o espaço de posts a outros escribas, tiram-se os comentários, acrescentam-se slide-shows? O que se faz? Aguardam-se as vossas sugestões, que não há dinheiro para estudos de mercado.

Beijos,
Teresa

P.S. Fiz ontem o último exame pedido pela médica, está pronto amanhã. Até ao final da semana deve haver novidades. Estou neste estranho limbo, sem saber o que se segue. Afinal, não são assim férias tão boas. Aprender a viver com a incerteza... bolas, é mesmo dificil. Estou anti-social, passo horas em casa fechada a ver filmes (valha-nos isso, que só vejo dos bons, pela mão do tio Maciel) e... a comer! Está na hora de reconhecer uma verdade antiga: quero, sempre o desejei, ser magra, mas sou feliz na companhia de chocolates, bolachas e batatas fritas. Um casamento impossível.

10 comentários:

Susana disse...

Eu continuo cativada, não preciso de desgraças nem histórias negras (por mim também podes deixar de lado os slide-shows).
Beijos,
Susana
P.S. Por acaso sobraram umas bolachitas e algumas batatas fritas? E não arranjas também uns amendoins com (muito) sal?
P.P.S. Epá, hoje consegui ser a primeira!

Anónimo disse...

Mana querida do meu coração... as audiências estão lá, so não se manifestam, podes ver pelo contador... eu sei que é desmotivante o silêncio, afinal não custa nada... eu como já percebeste adoro passar e dizer uns disparates que seja, mas eu sou uma viciada em facebooks e coisas afins, estou rendida à comunicação na internet, o tempo durante o dia não dá para mais...
Quanto ao teu sonho... já foste magra, um dia... já não é mau... também sei que os teus sonhos agora são outros, também os meus.
E isso das bolachas e das batatas fritas, só tem a ver com disciplina, mas agora nãp me parece o momento, desde que não te faça mal... até posso contribuir mais assiduamente com as minhas deliciosas bolachas, modéstia à parte... :))
Espero que este apelo traga mais comentários aos teus textos, sem os quais já não sei viver, praticamente...
Beijos muito grandes, amanhã quero saber tudo!
Beijos muito grandes mana Grande
m

ana disse...

Ando sempre por aqui, só que um pouco mais calada, o que, acredita, pode ser uma bênção. Estou mortinha por saber o resultado dos teus exames. Abraços, amiga.

Anónimo disse...

O contador não mente, tens montes de visitas. Tal como eu, muitas das vezes preferem remeter-se ao silêncio perante a tua eloquência. Dizes tu que és do entretenimento, tu és mesmo da área da sabedoria.
Bjs,
Isabel

beatriz disse...

ai Teresa não desapareças daqui! és uma companhia matinal!Lança temas para debate, tu até és das Cultas portanto ajuda a cultivar os "menos" ensina-nos coisas! vá lá não desistas de nós!
beijinhos grandes

Anónimo disse...

Teresinha, como também estou quase a ir de férias, não resisto a mandar-te um beijinho! E, já agora, deixo-te um texto do meu blog, revista manela. Não está é actualizado, porque não tenho tido inspiração, mas este é giro.
Beijos beijos,

Laranjinha

As minhas aventuras no reino de Portugal e dos Algarves
Caras amigas,

Mais uma vez estou de partida para o Algarve. Espécie de Pedrouços dos tempos modernos, o Algarve é o local de veraneio para tudo o que é côrte - leia-se gente gira e bem, ou talvez não - cá do burgo. A minha vida é feita do contraste total entre a minha realidade e aquela para onde viajo todos os dias. Os filmes europeus, os concertos do Forum Lisboa ou da Aula Magna, os Festivais de Verão e os copos no Bairro Alto fazem a minha felicidade. A dada altura, dei por mim a entrar na Kapital e no Clube T. A ir a jantares onde se comem coisas afrancesadas com nomes estranhos e a conversar habilmente sobre a roupa da moda, as melhores praias para ver e ser visto ou "gente civilizadíssima e gira". Para não referir os famosos "eventos", nome que se dá a qualquer ajuntamento com mais de 10 "pessoas giras", o que no meu léxico não passa de uma festarola. Afinal, a gente gira faz o mesmo que nós, percebi, após algum treino. Menos, claro, ver filmes europeus, concertos em locais mais ou menos suspeitos e ir a festivais de verão (excepto se houver lugar garantido na área vip).
Encaminho-me para mais um longo e duro fim-de-semana no reino da gente gira. Os eventos sucedem-se e para mim têm todos uma aura de prova de enduro. É uma canseira. Mas não nego que é divertido. Afinal, além da roupa há que vestir a camisola de uma realidade diferente. É interessante essa envolvência e não nego que me sinto um delicioso panado, daqueles com uma crosta brilhante e dourada por fora. E todo o sabor lá dentro, mas que só é desvendado quando bem me apetece.
É divertido fazer piadas reaccionárias. É engraçado adoptar um código de linguagem diferente do habitual. É desconcertante reencontrar os amigos e partilhar com eles as minhas aventuras. Mas mais e mais divertido é estar de calcinhas vincadas e cheia de dourados sentada no meio do chão após um longo e árduo dia de trabalho. É a crosta do panado a desfazer-se e o sabor a ganhar forma.
Já só faltam alguns minutos para regressar a casa. Olhar o rio da minha janela. Descongelar algo com ar alucinado e preparar ali na hora um bom petisco. Abrir mais uma garrafa de vinho e ficar embalada na minha cadeira de balouço e de sonhos. É hora de ligar aos amigos, fazer um refresh no vocabulário e descer para a minha realidade. A vida é uma constante surpresa e é nisso que reside a sua beleza, diziam-me no outro dia. A minha é uma constante telenovela e é nisso que reside a sua graça, digo eu. Só me falta mesmo encontrar o tema musical mais de acordo com os vários episódios...

Anónimo disse...

Minha querida, apenas deixei de escrever para impedir que o possa fazer aqui, de forma recalcada e anónima, quem não é capaz de me insultar pela frente. Mas não falho nenhum dos teus textos, e só dos teus, nem deixo de sentir, em cada minuto da minha vida, os teus receios e preocupações, tu sabes.
A.

Anónimo disse...

Eu não preciso de desgraças para te visitar e dizer qualquer coisa todos os dias. A minha Pocahontas ontem fez anos e tive pena de não lhe poder dar um beijo,mas falei com ela, e com aquele sol e praia está bem melhor que nós.
Não nos abandones, senão como vou saber de ti? Tens muitos visitantes só que ás vezes as pessoas leêm e não escrevem.
Gostas de cheese cake? Eu faço uma óptima. Se gostares vou mandar-te uma pela Pocahontas, já percebi que és como eu, gulosa.
Espero que recebas boas notícias esta semana.

Um beijo grande

São

Anónimo disse...

Nós continuamos a ler, só não dizemos nada :)

beijos
Vanda Curto

Fipas disse...

Oh mulher, se há coisa que sabes fazer é falar e escrever sobre tudo e mais alguma coisa de uma forma interessante. Eu prefiro ler e ter aqui as tuas boas notícias do que as tristes e menos boas, o dia fica mais feliz e tenho até mais vontade de vir cá!

Uma maneira de alimentares o blog é seres tu e partilhares connosco o que bem te apetece, coisas que gostas, sites que achas interessantes, fotos que viste e que te disseram alguma coisa, parvoíces até, que te apeteça partilhar e brincar connosco. E isto independentemente de achares que tem audiência ou não.

Aqui não tens pressões nem obrigações. Quem está, está por gosto e vem por ti, portanto tudo o que nos partilhares é lucro.

Gostaria de por exemplo ver mais fotos tuas, pois acho que tens imenso jeito e é um hobbie que gostas; um post porque viste a primeira flor que abriu no jardim com este sol maravilhoso ou uma qualquer música que gostes e que queiras partilhar connosco… Tens muito para nos dar além da doença e acredita que será um sol na vida de todos nós.

Com visitas, sem visitas, com ou sem comentários, é bom é que te sintas bem com o que escreves e que mandas para o mundo. Os que vieram são bem-vindos! Nem sempre as pessoas se exprimem sempre ou quando sentem algo, ou nem sempre têm, quiçá, oportunidade para escrever (aposto que, por exemplo, a João tem andado ocupada e não tem dado para escrever, mas acompanha-te como ninguém). Claro que é sempre bom ter audiência e feedback do nosso público. Acho que quem escreve (seja um post, um artigo ou um livro) ao dar de si, espera uma reacção. No fundo, um comment é um tempo que te é dedicado, alguém “perdeu” aquele tempo para te escrever e tu sente-lo em forma de mimo em cada palavra.

Mas acredita que há muito mais para lá do que se vê e lê, e este teu blog é a prova disso.

Ontem, ao falar da agenda dos próximos dias com o Paulo comentámos que tínhamos saudades vossas e que “este fim-de-semana VAMOS à Teresa!" – (SALVO SEJA! Coitada!) É que já não posso com aquele saco na bagageira do carro que tem doces lá dentro e a prenda de Natal atrasada do teu enfermeiro... Ah! Ah! Ah!