quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Não se pode exterminá-la?

Porque não temos todo o tempo para os filhos quando eles são pequenos; porque não telefonamos as vezes "suficientes" aos pais quando nós já somos crescidas; porque não nos dedicamos o suficiente a nós próprias e de vez em quando lá andam as mãos e os pés numa desgraça e a depilação "atrasada"; porque não há nada para jantar e a criança é "convidada" - e gosta - a comer Nestum com mel; porque é dia da empregada e a roupa não está pronta para ser passada a ferro; porque saímos do trabalho e, mais uma vez, ficou tanto por fazer... etc, etc, etc
Podia ficar aqui a noite toda a registar razões que podem fazer aparecer aquele terrível sentimento... o da culpa. Injustificada. Há mais, muitas mais. Uma mulher é, por junto, um poço de culpa, vá lá saber-se porquê.
Como é que uma pessoa que nunca fez (verdadeiramente) mal a ninguém, que tudo o que quer da vida é estar bem e ver os seus felizes e com saúde pode carregar nos ombros "toda a culpa do mundo"? E porque é este um comportamento tão tipicamente feminino?

Em casa temos de ser super-mães, super-profissionais no trabalho, verdadeiras chefs de cozinha, excelentes donas-de-casa (o que quer que isso queira dizer), as melhores amigas do mundo, boas filhas, elegantes e bem arranjadas (ou ainda é nossa culpa se o marido arranja outra)... Bolas!

Um dia a tal pessoa apanha-se doente, mais doente que alguma vez imaginou estar, precisa de se lixar (sorry) para os outros e para todas as ideias pré-concebidas que foi armazenando, precisa de se estar nas tintas para o jantar, para a roupa para passar a ferro, mesmo para o trabalho, e tudo o que recebe de volta, de dentro de si própria, é uma sensação de falhanço, de dever incumprido, de "tens de fazer mais e melhor".

Cá para mim a culpa é nossa. São séculos de culpa reprimida às nossas costas e agora, que os tempos mudaram, continuamos a alinhar nestas exigências todas. Alguns maridos "ajudam" (obrigadinha), mas não pensam no que os filhos comem ou vestem, se há comida no frigorífico, não dizem que não podem ir trabalhar quando os miúdos estão doentes, não saem mais cedo para ir com eles ao médico, resumindo, não stressam como nós. E, amigas, a culpa não é deles.
"O homem superior atribui a culpa a si próprio; o homem comum aos outros" (Confúcio)

E já chega, senão daqui a nada sinto-me culpada por vos dar uma seca tão grande.

Beijos,
T.

16 comentários:

Anónimo disse...

I guess that the mysteries of the female psyche can be revealed by Eve and her boldness around the Garden of Eve. Regardless, we're all perfectly imperfect, always useful and functional for one purpose or the other. Interesting theme. te abraco,

TeresaM disse...

Ahhh que bom tema: Nós, as Mulheres e, os nossos eternos sentimentos de culpa! São os nossos "cadilhos" mas também temos filhos...de quem cuidamos, a quem alimentamos, vestimos, providenciamos o pão, é suposto que queiramos ser as melhores na nossa profissão e, também temos os maridos, de quem cuidamos, a quem alimentamos, (vestimos...hehehe, alguns são nabos nesse campo), mimamos e, os amigos, a quem gostamos de fazer boa figura, no trajar, no receber, no cozinhar.. Como diz a tua amiga, somos todos perfeitamente imperfeitos, só que nós, as Mulheres ainda choramos ter-lhes dado a "maçã"...
Um beijinho grande

maguie disse...

hehehe concordo com a TeresaM somos tudo isso e muito mais
beijinhos boa noite
..

Natália disse...

Beijinhos Teresa.
Boa noite

Anónimo disse...

Oh rapariga, estiveste mesmo bem neste desbafo !!!
:) ainda bem que tens taleto para escrever... eu sinto isso tudo, mas é mais "excel" e "powerpoint" com escrita em Bullets !!
beijos grandes,

Gosto de te ler

Cidália

pnv disse...

São anos e anos de "culpa", é verdade.
Mas a "culpa" de não mudar é, na minha modesta opinião de gajo, vossa (das mulheres, bem entendido)!
Vocês continuam a tolerar, a aceitar, a ser "cúmplices" dos homens que "ajudam" em casa...
Bjs e, já agora, adorei o teu texto.

Anónimo disse...

Fantástico Teresa, é mesmo isso! somos um poço de CULPA! o teu texto é na mouche! tens razão Paulo nós é que somos as culpadas, mais uma vez, não olhamos por nós, não gritamos "Somos Mais do que mães, amigas, amantes, companheiras... somos GENTE!" Mas uma coisa é certa: Somos também Icebergs de FORÇA e não esqueçam o seres do dito sexo forte que nós as mulheres conseguimos falar ao telefone e ver televisão:):):)
beijos

beatriz disse...

desculpa... sou a beatriz, "fugiu o dedo":)

EP disse...

Bom Dia Teresa

Que texto espectacular, mas deixa-me dizer-te, culpa não, somos é SUPER MULHERES.

Beijinhos

Anónimo disse...

Que texto maravilhoso! Muito bom mesmo, mas por raio é que nós mulheres temos sempre de ser "SUPER"... eficientes, mulheres, mães, donas de casa, professoras dos filhos... Bolas também é demais. Quanto à culpa acho que temos culpa sim e é de sermos muito parvas e exigir demais de nós próprias. Sabe uma vez o meu neurologista disse-me que o facto de querer ajudar tudo e todos (pais, marido e filhas) era sinal de egoísmo da minha parte e não de boazinha, pois estava a impor a minha presença e o que eu devia era fazer o que me apetecia, pensar primeiro em mim e os outros que pensassem o que quisessem. Confesso que saí de lá com um nó na minha cabeça, mas não é que ele até tinha razão?
Bjs
Carla

Anónimo disse...

Espectacular o teu texto Teresa, mas a culpa é mesmo nossa.Filhos, marido,pais, roupas , comidas é tudo para cima das mulheres, por muito que os maridos ajudem, e o meu até ajuda.Uma coisa é certa o dito "sexo forte" somos nós, as mulheres(os homens que me perdoem), temos uma Força muito grande e uma coragem muito maior que eles, e gerindo bem as coisas ainda arranjamos um tempinho só para nós.
Beijos
São

Anónimo disse...

I love to come here and feel so connected...Hurray for Carla! Hurray for the friend who said:
Somos também Icebergs de FORÇA e não esqueçam o seres do dito sexo forte que nós as mulheres conseguimos falar ao telefone e ver televisão:):):) My husband's brain is not wired to multitask, conveniently! Deixo o meu abraco.

Ninia disse...

Eu nao tenho culpa de estar em Berlin e tu nao. Gostava que estivesses aqui comigo. Ja te comprei uma prenda.
Muito bom texto. Estas a voltar...

PS - desculpa a falta de acentuacao, mas o teclado e alemao.

Clara Azevedo disse...

Pode-se exterminar a culpa, pois pode!! Eu costumo beber um vinho do Porto :-) BEIJOS!!!!!!!!!!

Gatapininha disse...

Pois é Teresa, nós temos mesmo a mania de fazer isso tudo e dar a entender que não custa nada, e quando não podemos ainda ficamos com sentimento de culpa.
Eu já me habituei a delegar funções cá em casa, mas agora tenho fama de "mandona":)
jokas

Anónimo disse...

Que texto fantástico de facto... muito bem!!
Agora, peço desculpa mas... a culpa não existe, a culpa não serve para nada, não resolve nada e a única coisa que faz é tirar-nos energia e fazer sentir-nos... culpadas!!
Desculpa lá mana, mas... caga nisso tudo e pensa mas é em ti, e não é só agora é sempre... quanto mais pensares em ti e fizeres o que queres e és capaz, mais terás para dar aos outros... e se calhar é uma boa hora para educar quem está à tua volta... é que quem está à nossa volta, curiosamente nunca se sente culpado, provavelmente porque absorvemos as culpas todas...
Pois eu acho que a culpa não existe e não serve para nada, existe sim necessidade de alterar comportamentos... senão ainda te sentes culpada de te sentir culpada...
Muitos beijos grandes mana Grande
Amo-te!
m