quinta-feira, 29 de abril de 2010

Per sempre

Se Deus quiser, só volto à médica no dia 13 de Julho, depois das minhas férias de Verão. É o período mais longo sem supervisão desde Agosto de 2008, quando a saga começou. Considero este dado uma pequena vitória, que quero saborear.

A médica falou na necessidade, por vezes difícil para os doentes, de encarar esta situação como uma doença crónica. Há tanta gente com doenças crónicas... esta expressão tem uma leveza que não revejo no que se passa comigo. A médica acha difícil as pessoas perceberem que é para sempre; eu acho difícil interiorizar que haja um sempre, advérbio que presupõe a existência de tempo, tempo esse que, isso sim, tenho dificuldade em materializar.

Aceitar que o meu cancro metastizado, stage IV (não há V) possa ser uma doença crónica seria, não um problema, mas uma enorme felicidade. Claro que também se morre, e de que maneira, de outras doenças crónicas mas esta carrega em si mesma uma sentença especial.

E se ter cancro não é sinónimo de uma sentença de morte, e está claro que não é, ele dita outras penas para quem os sofre. E uma especial, à cabeça: o medo!

É o medo que nos faz pensar nisto vezes demais ao longo do dia, como diz a Susana Neves, ou ter a doença sempre presente nas relações com os outros, como muito bem explica a TM no seu mais recente post.

Ter uma doença crónica por muitos e muitos anos é tudo o que eu quero da vida.

Beijinhos,
T.

Hoje é um daqueles dia que uma pessoa escreve, escreve e, no fim, duvida que isto faça algum sentido...

18 comentários:

Natália disse...

Claro que faz sentido Teresa!
Eu sinto o mesmo.
Temos que aprender a viver com o medo,mas que é dificil é.
Beijinhos

Susana Neves disse...

Teresa,

nunca tinha pensado nessa perspectiva da doença crónica. Bolas, "para sempre" é mais do que 5 anos. É, realmente, difícil de entender. Mas, como bem dizes, que esta doença crónica se prolongue por muitos e muitos anos.

Beijinhos e obrigada por me teres mostrado esta perspectiva da situação

Anónimo disse...

Agora quem se expressou muito bem...foste tu! É isso mesmo T...
Tem sido a minha "técnica" de auto preservação, encarar esta doença como crónica e, no balanço comparativo com outras (pensa nos doentes renais, todos os dias ligados à máquina), considerar que tenho sorte...É querida amiga, somos umas doentes crónicas e isso torna difícil esquecer muita coisa, o principal: esta doença mata...
Pois, temos essa certeza tão clara como ela também existe no horizonte de todos! Ninguém lhe escapará. Até lá...vamos vivendo com alegria.
Susana, a doença é crónica sim e isso já é uma conquista da nossa medicina e ciência.
Vamos pois festejar a Vida e esquecer o que passou.
Viver com medo, não! (xiiiii pareço o Ary dos Santos)
TeresaM

Gatapininha disse...

Oi Teresa
Eu tento não pensar muito na doença, e quando estou a dar aulas nem penso nisso um segundo:) Temos que manter a mente ocupada e seguir em frente. Dizem que quem tem doenças "crónicas" como as nossas até duram mais, pois têm maior vigilância e acompanhamento médico. Quando anda meio perdida, penso nisso.

jokas

Madalena disse...

Vamos pois erguer a taça à tua grande vitória!!!!! E agora ergamos outra vez às vitórias de todas vós!
Eu já tinha vivido de perto a "passagem pelo cancro da mama" com uma das minhas melhores amigas e já na altura falávamos em doença crónica. Aprendi imenso nessa altura e aprendi também esta noção de doença crónica que nos sugere uma conquista activa e permanente de vida.
Tenho cinquenta e oito anos vividos. Quero mais. Tenho muito ainda para fazer!
(Como diz a Sandra, nas aulas é que a gente nem pensa... No Conselho Geral também não! Cheguei há bocado!)
Beijinhos! Beijinhos! Beijinhos!

Lina Querubim disse...

TeresaP
uma pequena???????!!!!!!!!!!
Uma grandeeeeeeeeee conquista ;o) e faz sentido o que escreves!
Quando fui fazer esta última eco e mamo estava uma Sra na sala de espera comigo e outras pessoas claro,que tem uma mestástase num pulmão á mais de 20 anos, estava lá quietinha sem aumentar nem diminuír e a Sra continuava nas suas consultas normalmente.
O medo ahhhh faz parte de nós acho que para sempre. Nem ao fim de 5 anos acredito que nos livremos do medo :p
Vais estar aqui muitos anos a fazer-nos perguntas ihihihhiihi e nóis a responder ok????
Beijokas e fica com os Anjos

Anónimo disse...

Faz todo o sentido o que escreves mana, e se Deus quiser e há-de querer, há de ser por muitos e muitos e muitos anos.
O medo só atrapalha, mas é inevitável,na realidade todos temos a morte iminente, mas é diferente, claro...
É viver o presente e tentar não pensar muito nisso, aliás nisso e em todas as outras coisas que nos metem medo...
A nossa vida é toda para diante, e ºara lá que temos de seguir, já agora sem nunca esquecer, e aproveitar as mudanças que tudo isto trouxe... é bom lembrar, mas só lembrar, ter a noção, e depois... largar... aceitar e deixar ir... (onde é que eu já ouvi isto?)
Muitos beijo grandes mana, amo-te, e acredito que Deus é Pai!!
m

(continua o teu caminho, sempre atenta... ;) )

Janine disse...

Olá querida Teresa,
Acho que fez muito sentido este texto...
Um beijinho muito, muito grande...
E espero que estes meses até Julho sejam descansados e muito bem saboreados.
Um abraço. ;)

Isa disse...

Faz sentido Teresa,

E é mesmo como dizes, viver com os medos muitos e muitos anos, e que nunca passe disso mesmo.
Fico feliz por ti.
E as pequenas vitorias, são grandes vitórias para nós.
um beijinho grande.

angelina disse...

um beijinho amiga
e um feliz fim de semana
angelina

IsaLenca disse...

Faz muito sentido pois. E já é outro grande degrau que ultrapassaste- agora há que ocupar a mente e a vida da melhor forma tentando pensar menos na doença "crónica". Se não se gostar do nome: em vez de crónica, pode ser Maria, Mulher Moderna, sei lá, o nome que cada um gostar mais.

Excelente fim-de-semana. Bjs

Anónimo disse...

Escreveste ,escreveste , escreveste e com todo o sentido sim senhora , somos doentes crónicos e cronico é para toda a vida que todas queremos longa ... e há-de ser ...

Beijinhos
Natalia Neves

Gigi disse...

Teresa,

adorei conhecer-te.

Já guardei o teu blog nos favoritos e agora vou ser seguidora assidua.

Beijocas.

Lina Querubim disse...

Teresa
finalmente encontrei uma Mulher á minha "altura" ihihihhi tb gostei de te conhecer!
Reparei que estavas atenta como primeira vez é normal, não sabias muito bem onde tinhas ido parar ...já viste no meio de doidinhas.
Apesar disso falás-te com bastante gente,de diversos temos e muita brincadeira á mistura ;o)
Espero que as tuas Amigas tb tenham gostado do encontro senão...olha valeu pelo passeio ihiihihi beijinhos

Gostei de te ver, estás muito bem!!!!

Lina Querubim disse...

Esta Gigiiiiiiiiiiiiiiii esteve aqui ao mesmo tempo que eu...olha lá deslarga-me :p bjs

Lina Querubim disse...

temos= temas argggg

Anónimo disse...

A verdadeira esperança é uma qualidade, uma determinação heróica da alma. E a mais elevada forma de esperança é o desespero superado.

Nunca se desiste com uma doença crónica aprende-se a viver com ela... Força !!!!

Sempre acompanhei o blogue e posso dizer que o mesmo transpira a esperança e ainda mais, a Vida.

Acho que é daquelas pessoas especiais que se conhece poucas ao longo da vida nem que seja , á distancia de um click.
um beijinho de força para uma grande Heroina.

Filipa disse...

A tua força e determinação, esperança e bom humor vão ajudar muito nesse processo todo. Não consigo deixar de ficar contente com as tuas vitórias!! Sempre!
Beijinhos Teresa