quinta-feira, 10 de junho de 2010

O final nunca é feliz

A velhice é tramada. Mas a velhice a sério, a da senilidade aliada à incapacidade física, a da solidão, a do fim da vida... Hoje estive lá. E vi a confusão que causa ver a nossa casa cheia de estranhos que vêm "ajudar",  e abrem as nossas gavetas, mexem nas nossas coisas, cozinham no nosso fogão... Vi também as pessoas que ajudam, que existem, e eu nem sabia, chamam-se cuidadoras, tratam os mais antigos como se fossem velhos conhecidos, dão-lhes banho, arrumam-lhes a casa, cozinham para eles e até dormem lá... Existem, estas pessoas, que fazem desta vida o seu ganha-pão e a sua ganha-alma, porque não há dinheiro que pague o carinho com que se trata, neste caso, um velho desconhecido...

Tive a sorte de ter os meus quatro avós vivos até muito recentemente, quando perdi os dois homens quase de rajada (elas estão bem, felizmente). Eram tão diferentes quanto duas pessoas podem ser e, no entanto, no final das suas vidas, vi-os como se fossem irmãos gémeos. Morreram quase com a mesma idade, com o mesmo olhar vazio, com a mesma solidão em que a perda da memória os largou: alheios à existência de família e amigos sempre ali ao seu lado, sozinhos em cabeças que se apagaram antes dos corpos... Para onde caminha a velhota de hoje...

Tive um dia difícil. O fim da vida é tramado. Se é cedo é mau, se é tarde, também...

Beijos,
T.

9 comentários:

Madalena disse...

Querida Teresa, muitos beijinhos. Nada a dizer. Também fui poupada até tarde. Ainda tenho três mães: a minha mãe, a minha madrasta e a minha sogra. Lá vou gerindo as energias e todos os dias falo com as três, como se as quisesse manter eternamente do lado de cá...

Nela disse...

Beijinho, Teresa. É difícil, sim. No Projecto, temos apanhado situações dessas aliadas a uma doença oncológica...

Cinda disse...

Não é nada fácil, não.Felizmente os meus avós tiveram todo o apoio e sempre estiveram em casa dos meus pais. Os três que já partiram sempre tiveram o carinho e todo o apoio dos filhos e dos netos. Nunca me vou esquecer da cuidadora que fui do meu avô paterno. Tinha pouco mais de 20 anos e fui a sua enfermeira. Prendi como o tratar e atá o saquinho da argália eu mudava. Os meus avós maternos também partiram de cas dos meus pais, com tudo o que é possível e necessário para que se sentissem bem. Felizmente o tempro de "sofrimento", foi muito curto ou quase nulo.
Mas também há quem consiga ter a garra de viver até depois dos 100.
Ainda tenho a minha avó paterna que tem 101 anos e está perfeitamente lúcida, andando e fazendo as suas necessidades fisiológicas normalmente.
Parece que esta garra e vontade de viver é genética, sei lá!!!!
Hoje é difícil conseguir tempo e disponibilidade emocional para termos os nossos "velhos" na nossa companhia, mas desejo bem cá do fundo poder tê-los no seu espaço e olhar por eles até ao fim.
Teresa, não podemos ficar menos bem por assistirmos a tudo isto, temos sim de ganhar mais força e lutar e viver cada dia que passa.
Um beijo grannnnnnnnnnnnde.
Cinda

Natália disse...

Olá Teresa
É sempre dificil,mas é assim a vida.
A minha avó faleceu á 5 anos,esteve 11 anos acamada,sempre em casa dos filhos,nos ultimos anos foi para a casa dela para não andar em mudanças,cada filha ia para lá 1 nês tratar dela,foi muito dificil passar por uma situação destas,ter de dar de comer,banho,enfim fazer tudo e não sabermos se nos ouvia,mas sei que carinho nunca lhe faltou perdi o meu pai com 69 anos com uma doença grave foram 12 anos de luta,passado 9 meses foi o meu sogro.
Custa muito
Mas sei que ajuda e carinho nunca lhe faltou,mas as saudades são tantas.
Mas Teresa como a Cinda diz não nos devemos ir abaixo por assistirmos a estas situações,é assim a vida e temos que ter força e estarmos preparadas para enfrentar estas situações,e vivermos um dia de cada vez.

angelina disse...

boa tarde amiga
beijinhos
angelina

Graça disse...

Beijinhos Prima
Bom fim de Semana

gabriela disse...

Pois é amiga a vida é mesmo assim muito cruel por vezes.
Deve de ser muito triste nós vermos os nossos entes queridos a perderem qualidade de vida.
Eu na segunda feira fui visitar um casal amigo duas pessoas que eu tenho muita consideraçãojá com 83 anos cada um, olha quando entrei no quarto me deparei com o SR. Sousa na cama práticamente defunto, olha chorei tanto não me consegui controlar era como se fosse o meu pai, e ele percebeu eu dei-lhe beijinhos acariciei-lhe a face, e perguntei conhece-me e ele com um sorriso disse claro só pode ser a d. gabriela, a mulher com alzaimere ele de repente caiu partiu uma perna e nunca mais saiu da cama esta prestes a partir deste mundo tudo isto no espaço de um mês.
Também têm uma senhora de dia e de noite a tomar conta deles porque a filha não pode, mas é um exemplo de filha faz tudo para que não lhes falte nada. E eu vim de lá doente nem dormi nada de noite e pensei meu deus como é dificil ver a degradação do ser humano, duas pessoas que muito gosto.
AMIGA CORAGEM BEIJINHOS

Anónimo disse...

Um Beijinho...
TM

Lina Querubim disse...

Um beijinho no teu coração!