terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Emoção

Tenho duas experiências recentes para partilhar com vocês.

A primeira tem pouco mais de uma semana, quando fui com uma amiga assistir ao espectáculo de Natal de uma colectividade lisboeta. Entre os muitos artistas estava a cantora Nucha. Conheço-a há muitos anos, entrevistei-a quando ambas tínhamos pouco mais de 20 anos e ela é amiga de um velho amigo meu... Sabia que ela ia lá estar, já fizemos duas vezes matérias com ela na tvmais desde que está doente, já tinha visto fotos dela a actuar sem cabelo, enfim... não havia novidade. Mas quando ela entrou em palco e a vi ali, de cabecinha lisa, com uma energia fulgurante e um sorriso rasgado, as lágrimas desataram a correr-me pela cara abaixo. A dor que penso que ela disfarça, entrou-me pelo coração. Há coisas que só nós é que sabemos. Sentada no meu lugar, até com tranquilidade, abriu-se a torneira e limpei um pouco a alma. É impressionante como chorar às vezes faz tão bem.

Foi perante a coragem dela, de continuar a ganhar a vida - que precisa - e de se mostrar ali, tal como está, que eu me senti estúpida por todo o stress que passei com o cabelo, as perucas, o calor. Não me parece que algum dia fosse capaz de me expor assim. Mesmo com tudo o que passei, não ultrapassei esse nível de superficialidade e, se voltar a passar por isso, acho que parto novamente do zero. Claro que há muitas formas de sermos corajosas, já mo demonstraram e acredito que sim, mas esta é certamente um dos bons exemplos.

A outra situação conto amanhã, que me custou mais e interessa mais a todas.

Beijocas
T.

9 comentários:

Guida Palhota disse...

Querida Teresa!
Penso que todas faríamos diferente, se "a cena" se repetisse, ou não estivéssemos nós sempre a aprender, umas com as outras e connosco próprias! Todavia, adorei saber das tuas lágrimas de identificação com a Nucha e de admiração por ela. Essa é uma das mais nobres provas de humildade que tenho conhecido.
Fica bem, miúda! Olha que não vais ter de começar de novo, a não ser a escovar os cabelos! ;-)

beijos
e até à tua nova partilha

Nela disse...

Beijinho grande

angelina disse...

minha querida amiga
venho so desejar um bom e feliz Natal
adoro-te Teresa Lindona e não fui eu que o inventei lol
beijinhos

Susana Neves disse...

Minha querida,

espero que estejas mais aliviada, após esse lavar de alma.

Também dediquei um post à careca da Nucha. É, realmente, um exemplo de coragem mas em nada inferior ao teu, que expões os teus sentimentos publicamente, através do blog e assim ajudas (da forma que podes) outras mulheres. Cada um ajuda da melhor forma que consegue.

Vá lá, bola pr´a frente

Beijocas

maguie disse...

Como diz a Guida acho que todas nós se voltassemos a passar pelo mesmo agiriamos de forma diferente,eu já disse várias vezes e repito se um dia tiver que voltar a fazer quimio vou-me recusar a usar o capacete de gelo, não vale a pena o sofrimento só para manter o cabelo que até nem me valeu de nada pois o cabelo caiu, mas acho que vou pensar de outra maneira mesmo, e vendo a Nucha uma figura publica que tem de manter a imagem e livre de preconceitos é de de louvar a sua coragem.
Chorar faz bem dizem os entendidos....
beijokas
..

Anónimo disse...

perdoar-me-ão não estar de acordo....
Li em tempos algo escrito ou dito - nem sempre coincidem...- da Nucha e...ela que me desculpe mas...acho que está na "moda" o cancro da mama e...a mim parece-me que ela é das que usa esta situação, tão dolorosa para tantas, como mais uma hipótese de projecção pessoal, de publicidade...desculpem...mas os motivos dela não me parecem ser "coragem" mas...mero aproveitamento!
Sei que posso estar a ser muito injusta mas...é o que sinto!
Beijinhos
TM

Anónimo disse...

TM, é possível que, de certa forma, seja verdade. Ela não é assim muito conhecida, vive do trabalho e precisa muito de continuar a ter espectáculos, e assim é também uma forma de se ter visibilidade... Não digo que não...

O que digo é que a careca dela me emocionou como o raio. De qualquer forma, aproveite ou não para trabalhar mais, do que custa não se livra. Por dentro, só pode ser igual a nós todas, não?

Beijos

Gatapininha disse...

Usando ou não a doença para aparecer (a mim também me soa algo a falso, enfim...), eu acho que é uma grande coragem assumir a careca! Eu nem a mim própria conseguia ver ao espelho!
jokas

Anónimo disse...

também é verdade: que a minha má cabeça me castigue....
TM