domingo, 4 de setembro de 2011

Mamonas assassinas (que raio de título, detesto mas não resisto!)

A partir dos 13, 14 anos, começaram a crescer de forma descomunal. Gigantes que eram, embirrei com elas em dois tempos e, criada a oportunidade, à beira da maioridade, reduzi-as a metade. Acabaram-se os tempos do "leite vigor", como alguns colegas gentilmente me chamavam, dos apupos na praia, na rua, em qualquer lugar... E, curiosamente, dos problemas de coluna que ameaçavam vir a causar. Apesar das cicatrizes, que acolhi com naturalidade (foi o custo a pagar pela nova silhueta), deixei de olhá-las com desconfiança. Mas elas é que parece que nunca me perdoaram a desfeita...

Quando engravidei, e ainda por causa da supra citada intervenção, sabia que não poderia amamentar. E elas, que já tinham vindo a refazer-se ao longo dos anos, voltaram a crescer, a crescer, outra vez de forma desenfreada. O leite, secado por comprimidos, pareceu ter-se solidificado lá dentro e, já com a criança a biberão, o novo tamanho de sutiã permaneceu em alta.  Na boa, 20 anos depois, já não me importava com isso (e também já ninguém me ligava nenhuma na praia). We were good, I believed.

Há três anos, quando  chegou o terrível diagnóstico de cancro, senti na pele o poder da vingança. E pensei... não as amei, elas trairam-me. E, como a prioridade foi enfrentar e trabalhar na devastação que já havia causado as células malignas que dali proliferaram, elas foram poupadas. As duas. Ficaram, juntas, talvez a rir-se de mim, como que a perguntar "e agora, quem sofre agora?"

Chegou o momento de uma delas poder partir, de separá-las, de nos separarmos... Resta-me a esperança de que o fim desta inimizade me traga alguma paz. Não é garantido, mas isso eu já sei, nada o é.

Beijinhos.
T.
















20 comentários:

Lina Querubim disse...

Gosto da tua ironia não consigo deixar de rir :p embora a realidade não seja assim tão cómica. Não é vingança nenhuma. Aconteceu!
Mas ainda levando a conversa na tua lógica desta vez vai ser KO pra ela e vais poder ter a tanta paz que procuras. Beijinhos

Natália disse...

Teresa nem sei que te responder.
Como a Lina diz também me fizeste rir.
Mais a serio,ninguém tem culpa desta maldita doença entrar no nosso corpo.
E quem nunca fez nada ás mamas?

Vais tirar a mama,se for preciso fazeres quimio,fazes,tu és forte e vais vencer mais esta batalha.
Estamos aqui para te dar muitos miminhos e te ajudar a enfrentar isto tudo.
Beijinhos.
GOSTO MUITO DE TI.

Teresa disse...

Meio a sério, meio a brincar, assim se leva melhor a vida... Muitos beijos às minhas gémeas!

Janine disse...

"Meio a sério, meio a brincar, assim se leva melhor a vida..." Um beijinho enorme, concordo com a Natália e com a Lina. Apesar de tudo, o texto consegue ser divertido e está muito bem escrito, para não variar. Isso é uma qualidade que só as pessoas especiais têm...e são tão raras...
Fica um abracinho, querida TP!!! E força!!! A minha amizade permanece intacta apesar da culpa (que sinto) de uma ausência mais prolongada... Eu sempre que posso volto para dar notícias e miminhos... Beijinho doce

Susana Vinga disse...

Sobe a parte do a "brincar" para os 90%, que 10% para a "sério" chega e sobra. Vais resolver o problema de uma vez por todas! Força e um grande beijo de amizade.

Lina Querubim disse...

beijinhos Janine :) <3

Madalena disse...

Um beijinho TP!!!!! E depois não queres que a gente se renda à tua coragem e à tua inteligência????!!!!

Gatapininha disse...

jokas:)

Anónimo disse...

Como sempre, um texto fabuloso e, nas entre linhas, um pensamento carregado de culpa! Mas nunca saberemos se elas se vingaram ou se realmente, elas sempre se vingariam qualquer que tivesse sido o teu percurso. Qdo fui diagnosticada, com 3 tumores (que se veio a apurar serem distintos) um dos oncologistas disse-me que eu tinha estes tumores há muito tempo, porventura quase quando comecei a ter "mama", só que dispararam quando entenderam e acertaram em cheio naquela mama. Com mama, sem mama, acredita, somos a mesma mulher (mais assimétricas e, seguramente, mais conformadas com o nosso destino, MAS nunca vencidas por ele! Faz-te à luta porque com o teu estado de espírito atual, vais passar tudo muito bem! QQ coisa, desde conselhos práticos - tipo de soutien - os das avós, mais largo que o habitual...) a coisas estranhas que nos passam pela cabeça, manda mensagem que eu telefono-te. Não o farei sem tu pedires, pois tb sei que há momento em que queremos ficar só com as nossas mamas!
TM

Anónimo disse...

beijos muito grandes mana, tu vais vencer mais esta batalha, tenho a certeza!!!
A culpa não existe, e vai correr tudo muito bem, tu és forte e nós estamos aqui todos!!!
beijos, luv u
★❤
m

Anónimo disse...

Se essa é a solução, o melhor é que seja o mais depressa possível porque a reconstrução da mama faz-se com mais ou menos dificuldade e a reconstrução da sua vida pode começar por ai. Beijos e força. Carla

Susana Neves disse...

Teresinha, não posso avaliar (só imaginar) a tua dor, mas de uma coisa tenho a certeza. Não tens culpa de nada.Ninguém tem. Espero que, com a mama, vá a culpa.

Vai correr tudo bem. És uma pessoa especial e cheia de força. Acredita. eu acredito.

Mil beijinhos

Estela disse...

Realmente tens um sentido de humor muito apurado grandona....só tu para lhes chamar uma coisa destas!!!Não te massacres...és uma mulher corajosa e sei que vais vencer mais esta batalha...um beijo enorme e nunca deixes de acreditar porque eu acredito em ti...
Estela

Ninia disse...

Obrigada por teres cá vindo. Volta breve.
Beijos

Guida Palhota disse...

Adoro ler-te, Teresa!
Preferia, claro está, que fosse sempre por motivos alegres, mas admiro muito a volta que consegues dar às tristezas que vais sentindo (e com toda a legitimidade), revelando, no modo como as encaras, a tua excecional força e capacidade de sofrimento. E é por seres assim - uma menina que luta sempre até ao fim por aquilo que quer (o exemplo da redução mamária é disso prova) - que vais ser uma "trivencendora", que, à terceira, manda a bicharada toda ter com o diabo, que é onde ela vai ficar bem!

Mil beijos muito carinhosos

Ana Camões disse...

Escreveste mt bem :-) neste texto, apesar da tristeza que imaginos que sintas, consegues transmitir uma certa tranquilidade...
Não sie que te diga, apenas coragem, calma e FÉ!!!

Beijinhos e muita força!

Anónimo disse...

Um beijinho.

VandaR

Anónimo disse...

Olá Teresa !
Comigo aconteceu quase o mesmo, mas ao contrário !---- Desde miuda sempre fui muito Maria-rapaz e quando me começaram a crescer as maminhas achei normal, até que uma tia minha se lembrou de me oferecer um soutien, (uma coisa minuscula) e insistiu que o usasse , o que eu fiz. Não estava era preparada para os comentários que ouvi à noite dos meus tios e pais quando todos repararam em mim e me disseram que o soutiem me ficava muito bem!!!!
Fiquei super envergonhada, irritada sei lá. Claro que no dia seguinte nâo o usei adiei o mais possível e ainda aprendi a arquear os ombros para a frente de maneira a "esconder as mamas ". Por alturas do periodo outro drama este prolongou-se práticamente por toda a vida adulta, pois sempre tive dores e sempre o considerei um grande incómodo,
Agora finalmente aos 55 anos e já na menopausa, dou graças a todos os meus deuses,-- Finalmente entro na fase mais tranquila da vida,todo o tempo útil para fazer Tudo tempo de liberdade, sei lá. Andava tão bem.
Andei 8 meses, Um dia á noite quando me despia para me deitar notei uma "anomalia" numa das mamas estava dura,fiquei logo em alarme mas pensei que passasse , como não passou fui á médica e depois da mamografia e da biópsia,o diagnóstico-- Tumor maligno...


Agora penso(de Junho para cá) quando teria sido que estas alteraçôes celulares começaram?
Nâo amei o meu corpo como deveria ter amado ???

Há uma escritora no Canadà que estudou muitos casos de como a parte emocional afecta a nossa saude. Deve ser um livro importante que vale a pena ler ,só que eu ainda não encontrei, a escritora é Lise Bourbeau e o titulo : Escuta o teu corpo .


Desculpa eu assinar como anónima mas nâo tenho nenhum Blog.Leio muito os vossos ás vezes comento o da Guida Palhota.
--Estou a ser tratada no Hospital de Santarém onde já fiz 3 sessoês de quimio ,espero ser operada em Out- Nov.
Beijinho ,espero nâo ter "chateado"

Geninha disse...

TPLINDONA só te posso dizer que és uma grande MULHER continua em frente que vais conseguir.
Um Abraço do tamanho do mundo.

Bjs

ERG disse...

Qual culpa, qual carapuça!
Ficas desde já a saber que também eu tenho uma má relação com as minhas!
Já passei por uma serie de fases; primeiro porque não as tinhas quando já todas as minhas amigas as exibiam; depois vingaram-se e desataram a crescer desmedidamente e pareciam não querer parar; tapei-as, escondia-as, espremi-as dentro de soutiens alguns números abaixo do correcto e não contente com isso vestia um maillot de ginástica de quando tinha 8 ou 9 anos, por último vestia camisolões largos e deixei crescer o cabelo para o pôr para a frente e assim melhor as esconder. Deixei de correr, curvava os ombros para a frente e não queria ir à praia.
Hipersensível a piropos morria de vergonha delas e comecei a namorar muuuuuuuuuito tarde. Mais tarde tive um filho e chorei baba e ranho com a subida do leite. Fiz as pazes com elas enquanto amamentei mas foi sol de pouca dura. Murcharam logo após e a vergonha voltou. Recuperaram e durante algum tempo quase me pareceram normais, mas...um dia e sem aviso prévio desataram a crescer novamente! Deixei de entrar nos meus soutiens, nas camisas, de conseguir fechar os meus casacos...foi horrível e durou anos. Agora, estou mais velha (não muito mais sábia), elas continuam aqui e eu continuo a ter uma relação dúbia com elas. Mantenho o mesmo pensamento de sempre "um dia trato disto". E vou ter culpa de quê? De gostar de outro tipo de mamas? Mais pequenas, mais redondas, mais suaves e discretas? Ná! Tenho (temos) o direito a ter opinião sobre o meu próprio corpo e a desejar melhorá-lo ao meu gosto.
Força T.