domingo, 24 de junho de 2012

Nos extremos

O terreno da realidade fica algures entre as palavras que aqui escrevo a tender para o drama e a minha postura de aparente normalidade. É aí, nesse pedacinho de terreno, que costumo estar.

Eu própria tenho de ser lembrada disto, para não acreditar demasiado naquilo que escrevo nas noites de angústia. Já a ilusão da normalidade, infelizmente, nunca me engana. Devia saber bem, por um bocadinho que fosse, esquecer-me da besta....

Beijos,
T.


9 comentários:

Patrícia Pais disse...

Boa noite Teresa!

O meu nome é Patrícia Pais, e
antes de mais peço desculpa pelo
meu atrevimento, mas precisava de
lhe transmitir o quanto se tem tornado uma fonte de força e
inspiração para mim.
Descobri o seu blog quando, após cá
em casa termos sido bombardeados com 2 diagnósticos de cancro da
mama com uma diferença de 20 dias:
a minha mãe e eu.
No dia em que a minha mãe foi
mastectomizada, eu iniciei a
quimioterapia.
Hoje em dia (5 meses depois)acabei
os ciclos que estavam previstos
e estou em fase de exames à espera
de nova decisão terapêutica.
A minha mãe vai fazer para a semana o seu último ciclo de quimio e,
felizmente, a situação dela está
controlada. Tive a preocupação e a curiosidade
de ler os seus posts desde o inicio. É incrível como me revejo
em grande parte das suas palavras de desabafo, de "grito",...
mas também me revejo nas palavras inspiradoras de quem diz que não de desiste e vai dar luta.
A guerra é duríssima, muito difícil, mas por nós e por todos os
que estão do nosso lado (mesmo sem entenderem muito bem o que vai cá dentro, e dizendo-nos tudo o que não nos apetece ouvir!) vai valer a pena.

Força Teresa, o bicho que entrou no nosso corpo sem pedir licença e
que passa a vida a aterrorizar-nos, não nos pode impedir de lutar
contra ele de todas as formas que nos forem possíveis!

Anónimo disse...

Oi.
Desculpa que te diga mas na verdade,no post em baixo,foste bastante suave para a realidade.Exagero,não,eufemismo.
Entendo-te perfeitamente e gosto de saber a mulher forte que és.
Na realidade,estamos todos,saudáveis ou não,nesse labirinto a partir do momento em que nascemos.Mas nós e outros tantos,percorremo-lo com um fardo pesado e aburdamente consciente;há os que,nem se apercebam do caminho e que nos irão ultrapassar!Infelizmente não podemos escolher como o queremos percorrer.Resta-nos seguir o teu exemplo:lutar.
Esperança, Tp.
Um abraço e um beijinho :0)
Ps:Uma dica que qualquer pessoa,saudável ou não,deveria seguir(acto praticado pelo meu pai desde que o conheço),comer um dente de alho em jejum(eu corto e engulo com água,o meu pai sempre mastigou ou seja,é o perfume dele loool).Se resulta ou não,não sei,mas faz bem.Aquela senhora que falei,das metástases e dos 6 meses de vida,disse-me que o passou a fazer desde então,há mais de 20 anos.Fica a dica mas pede aconselhamento médico.
VandaR

Anónimo disse...

Se me permites,Patrícia Pais,desejo que tudo corra bem consigo e com a sua mãe.Há-de correr.

Um beijinho e fé.
vandaR

Lina Querubim disse...

Mesmo nos dias mais cinzentos existe um arco-íris para nos iluminar!
Boa sorte Patrícia Pais e beijinhos meninas :)

Teresa disse...

Olá, Patrícia, que tudo corra bem consigo e com a sua mãe.
Gostava que me enviasse um e-mail para casadaparede@gmail.com para "falarmos" um bocadinho. Também tenho Facebook, já procurei por Patrícia Pais mas aparecem muitas...
Beijinhos,
Teresa

Anónimo disse...

♥♥♥ ♥♥♥ ♥♥♥
beijinhos

Anónimo disse...

Minha amiga
como é habitual e recorrente, não vale a pena atacar com o habitual discurso da guerra e da valentia, pois sabemos como somos frágeis e pequeninas nesta luta contra o inimigo invisível. Como dica, a juntar às da Vanda, sempre te salientarei a necessidade imperiosa de encarar com otimismo este percurso. De nada nos vale ver o negro, de nada nos vale antecipar o sofrimento. Trinca o "alho" todos os dias, pois afugentará os teus "maus olhados", interiores, compreensíveis, aceitáveis mas absolutamente imprevisíveis no que respeita aos efeitos que te podem causar nesta luta constante que tens. Afasta-os, tenta a tal "normalidade", mas que ela venha de dentro, de ti, se imponha aos sobressaltos da incerteza! Estás a fazer o que deves: lutar mas, a tua entrega a essa luta não é inteira. Ficas sempre a matutar, a ver nos insucessos o teu também, a olhar sempre para a porta fechada, incapaz de te veres no teu futuro daqui a 10, 15 anos. Incapaz de aceitar a condição de doente crónica e com isso lidar. Tu não consegues relaxar nunca, estás sempre hirta no sentimento, na dor, no silêncio em que vives essa dor...No minímo, então...só te pelo: grita mesmo! manda cá para fora o que te vai no íntimo, para junto de nós, as que te sabemos assim e que não deixamos de defender esse teu estado de espirito dos que não queres "incomodar", os que mais amas e não queres que sofram!
Beijos TM

Patrícia Pais disse...

Obrigada a todas pelas palavras de esperança! O caminho é longo mas será sempre "bafejado" com esperança e fé. Acredito que, apesar deste duro golpe, algo de positivo e bom irá acontecer.
Beijinhos,

Patrícia Pais

Anónimo disse...

Patricia Pais, que o meu abraco de longe chegue perto do teu coracao, e bons-ventos sussurrem. *Estou fazendo o melhor que posso e isso basta. Bencaos, daluz