domingo, 6 de março de 2011

Ganda queixinhas

É verdade que esta coisa de conviver com um cancro me dá uma vontade danada de me queixar. Ai que me dói as costas, ai que a injecção doeu como o raio e deixou um hematoma gigante como prova da brutalidade do acto, ai que estou cansada, ai que não quero ir todos os meses à sala de quimio, ai que não aguento trabalhar tanto, ai que tenho medo de uma recidiva, ai que estou saturada da porcaria da doença, ai que me dói na alma os cancros dos outros, ai que a minha filha precisa de mim e parte-me o coração pensar que lhe posso faltar, ai que isto, ai que aquilo... Já para não dizer que por ter um cancro me acho no direito de não levar com as tretas daqueles que , aos meus olhos, não tem problemas nenhuns e inventam uns quantos para se chatearem a si e aos outros. Uma injustiça, eu sei...
Mas ter um cancro também faz uma pessoa ter vontade de se queixar... dos outros!
Ficamos cá com um olhinho para distinguir o trigo do joio e topar as nódoas que para aí andam a minar a vida alheia...

Já não me lembro como pode ser maravilhoso arranjarmos problemas a nós próprios e aos outros, que, bem espremidos, não têm importância rigorosamente nenhuma. Ai que saudades...
Conheço pessoas que dizem mal de colegas e fingem, com requinte, ser amigos deles; conheço pessoas nunca se gramaram e se juntam para dizer mal de quem não está (surgiu-me a dúvida: como se chama um conjunto de cobras?), conheço pessoas que fabricam mentiras e acreditam nelas, conheço pessoas que são tão burras que preferem acreditar nas mentiras dos outros do que pensar pelas suas próprias cabeças e perceber a marosca, conheço gente que não sabe ser feliz e que, assim sendo, tudo faz para que mais ninguém seja, conheço quem não seja capaz dos mínimos e se ache o máximo, zeros à esquerda que sonham fazer parte da equipa dos milhões.

E esta gente não sabe o que é um cancro. Ainda bem, digo-lhes eu, que como sei o que é não o desejo a ninguém.
E voltando às queixas, ai que não me apetece queixar-me mais...

Beijocas, amigos, e desculpem o desabafo, mas detesto GENTE MÁ e eles andem aí.

T.

16 comentários:

Natália disse...

Ai Teresa ...Andem,andem,podes crer.
Beijinhos e queixa-te á vontade,mesmo que não ganhes mais nada pelo menos desabafas.

Guida Palhota disse...

Ai, Teresa, que esta porcaria da histerectomia deixou-me aleijadinha! Ai, ai, ai, que só me apetece "aiar"!
Vamos inventar um verbo, só no presente do indicativo, para não sermos exageradas. Que tal assim:

Eu aio
Tu aias
Ele aia
Nós aiamos
Vós aiais
Eles aiam
Porque temos razão para isso
Não é em vão

P.S. Também detesto gente má e estou contigo, mas se puderes fazer que não percebes..., há quem fique fulo! ;-)

Beijocas, Teresa

Teresa disse...

Vamos aiar até que a voz nos doa!!
Beijocas, meninas

Madalena disse...

Ai ai ai
Beijinhos.
Como sou a mais cota tenho direito a menos ais.
Mas sinto que não me tratam como eu mereço por ter o dito cancro e mais a porcaria da idade que pesa que se farta.
E quando ando na escola, de pavilhão para pavilhão, carregada que nem uma burra (que até sou um bocadinho! Vá, digam que não, que sou espertinha!) e me confronto com a indiferença de quase todos, dói, dói, dói.... Eu aio pois!!!!

Beijinhosssssssssssssssssss

Lina Querubim disse...

pois tem gente má sim!!!!!
precisam aprender muito :O) e a vida vai se encarregar disso!!
Beijokas

angelina disse...

Os ais tambem fazem parte da vida lol
mas a gente mà e finjida não devia fazer tambem conheço gente dessa muito linda pela frente e umas viboras por tras .
beijinhos Teresa

Susana Neves disse...

Mais uma que vai adotar o novo verbo.

Quanto às cobras só sei de uma coisa, se algum dia tiverem de conjugar este verbo, irá faltar-lhes uma coisa preciosa que nós, as "boas", temos, Amizade verdadeira de quem nos rodeia. E era desnecessário

Beijinhos a ti Teresinha e às restantes meninas

maguie disse...

AI AI AI .....
beijinhos
..

Isabel Preto disse...

Tens razão! eu própria, por vezes me queixo e logo a seguir penso:"Que parva! A queixar-me de quê? Tenho duas filhas perfeitinhas, tenho trabalho, casa e principalmente SAÚDE..." É verdade, o resto é pouco, diante da doença. Força, Teresa. Pensa sempre positivo, para lutar contra essa doença...assim, vais vencer.
Beijos

Nela disse...

Que rica ideia, Guida!

Olha, eu não aio... Só por uma questão de economia. Descobri que, se abro a boca para começar um queixume, nem tenho tempo de o acabar. Aparece logo alguém que diz: Então, e eu? Ainda há 2 semanas me apareceu... blá blá blá... E só para não ouvir os ais dos outros, decidi não aiar!

Quanto às cobras, quando são muitas e estão todas juntas chamam-se qualquer coisa, de certeza, mas eu escapo-me rapidamente e deixo o nome para quem tiver tomates para as aturar...

Foge...

Gatapininha disse...

Eu sou como a Nela, só falsos ais à minha volta, nem vale a pena abrir a boca porque começam logo os queixumes do outro lado. A esses só lhes digo: é a PDI, aguenta-te!

Madalena, quanto estive mal por causa do excesso de peso, o meu oncologista aconselhou-me a pedir a uma funcionária para me levar as coisas:) Fiquei com um sorriso de orelha a orelha, como e que eu não me lembrei disso antes??lol

jokas para todas

Anónimo disse...

eu aio, a torto e a direito, fundamentalmente para dentro que eu quando aio, sei o que é isso e assim não há mais confusão! Um conjunto de cobras é...é....um cobrãodecilho - Montes de cobras versus empecilhos!
TM

IsaLenca disse...

À medida que a idade avança também vamos ficando com menos paciência para aturar palermices e futilidades. E víboras, cascavéis há cada vez mais. E atualmente há pessoas que já nem se dão ao trabalho de ter algum tato...querem mesmo é ser o centro das atenções nem que tenham que passar por cima dos outros.
Por isso eu digo que aprendo muito com todas estas guerreiras: gostam das coisas simples e sem subterfugios porque apanharam um grande susto, porque na realidade têm razão para dizerem ai alto e bom som e mesmo assim mostram que há forças escondidadas dentro delas que as fazem não o dizer. Por isso fazem bem quando vivem os bons momentos da vida e aproveitam para estar com as pessoas que realmente valem a pena.
Das víboras e outras cobras que tais eu tenho imensa pena. Essas não me merecem sequer atenção.

Quanto a vocês digam os ais que vos aprouver... Bjs

Guida Palhota disse...

Olá, Teresa e restantes meninas!
Venho só dizer que andei a investigar sobre o coletivo de cobra e, na contingência de nada conseguir concluir, enviei este pedido de ajuda aos linguístas do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa:

"Bom dia! Depois de me ter surgido a dúvida sobre o coletivo de 'cobra' e de ter consultado a vossa 'entrada' sobre esta questão, na qual clarificam a inexistência de coletivo para este nome, devido ao facto de as cobras não viverem juntas, confrontei-me com a opinião de um entendido em animais, que me esclareceu que há cobras que hibernam juntas às centenas. Pergunto então: Esta não será uma razão para haver um coletivo de 'cobra'?
Grata pela vossa atenção,

Margarida Faro"

Agora, resta-me esperar..., para depois voltarmos a falar.

Beijocas

Guida Palhota disse...

E agora cá para nós: Quando elas hibernam todas juntinhas é que devem combinar as tramóias e apurar o veneno que depois aplicam individualmente! Eh, eh! Víboras! Línguas viperinas!!!...

ml disse...

Teresaaaaaa, 'to aqui de volta, com dor 'e' sem. te amo! ml