quinta-feira, 23 de outubro de 2008

A fita (que) cola


Há dois dias que não ia andar. Hoje, para ter a certeza de que não me enrolava noutros afazeres ao fim da tarde, resolvi tratar disso logo pela fresquinha. Deixei a fofa na escola e lá fui para o paredão de Oeiras. Estava frio, levei um casaco e, de ipod nos ouvidos, comecei a caminhada. Mas tive companhia: uma valente ventania. Com ela, o pânico. Iria a peruca pelos ares? E se vou andar para relaxar, apanhar ar do mar e recarregar baterias, o exercício de hoje não poderia ter tido o efeito mais contrário. Foi o stresse total. De cabeça baixa, com o capuz do casaco na cabeça, só me imaginava, careca, a correr atrás de uma peruca que iria, sem dúvida, cair ao mar. Belo filme.
Mas fiz o percurso todo, a cabeleira portou-se à altura e não se moveu um milímetro. Mesmo assim, a lição está aprendida: de hoje em diante, só de lenço, fita ou gorro a "colar" o capacete.*
Já no domingo, num café, a Joana resolveu brincar com o meu cabelo. Aterrorizada, tive de lhe pedir para parar, antes que saísse asneira. No dia seguinte, um gesto mais expansivo de um amigo quase me deu para me atirar ao chão, com medo que ele ficasse abraçado ao postiço. Hoje, o vento... As alças da mala, quando prendem nos cabelos que caem sobre os ombros, também prometem ser uma bela ameaça... Todo o cuidado é pouco, até porque, cansada de despojos diários na almofada, já rapei o cabelo (eu própria, com a maquineta do Maciel) e, apesar de me achar menos feia do que esperava, não tenciono compartilhar esse espectáculo. O assistente-chefe diz que fico bem. Mas esta é uma das alturas em que uma mulher não só perdoa uma mentira ao marido como ainda lhe agradece por cima.

Beijos,
T.


* Uma colega, que não sabe de nada (pelos vistos), disse-me hoje que o meu novo corte de cabelo parecia um capacete... Não foi um elogio, pois não?

4 comentários:

Anónimo disse...

Desculpa mana mas não posso deixar de achar alguam graça a todas essas peripecias da peruca...:-) imagino a tua cara e a voz dos teus pensamentos, deve ser uma comédia...
quanto à colega que não sabe nada, apesar do comentário pouco elogioso, ela pode ter alguma razão mas só quando tu não pões a "cabeça" no lugar... porque qando o fazes não se nota nada e não há capacete nehum.
Beijoss e não te esqueças de enfiar a carapuçanos dias de vento...:-)
m

Ninia disse...

Sim, de facto estou a imaginar-te na tua "luta" com a dita peruca. Se estivesse aí, com certeza iamos chorar de rir.

Eu ainda não te vi de peruca "ao vivo", mas nas fotos não parece capacete nenhum. De qualquer forma segue os conselhos da mana João, que conhece todos os truques.

Rui Guerra Figueira disse...

Bom lá vou eu quebrar o meu silêncio que é de tudo menos de ouro. Pois T esta tua história lembrou-me uma outra passada há alguns anos com a minha Mãe. Reza a lenda que a mulher que me deu à luz andou numa fase de querer fazer uma permanente, isto nos idos anos 70, e ao que parece essa ousadia saiu-lhe cara pois algo correu mal e ficou com o cabelo todo queimado; Mi madre teve então que o cortar rente, rentinho e na altura o estilo Sinead O'Connor ainda não estava na berra e como sabes os skinheads só começaram a aparecer nos anos 80...mas avançando na história lá teve a minha Mãe que comprar uma peruca em virtude dessa vicissitude. Na altura eu era uma criança de colo e ela andava frequentemente comigo de um lado para o outro, como é típico das mães de qualquer geração, só que no caso da minha na altura ainda se usava muito os transportes públicos e foi precisamente num momento desses que aconteceu à minha Mãe aquilo que quase ia acontecendo hoje a ti, só que no caso não foi nenhum fenómeno climático embora fosse natural, pois foi o seu filhote (eu) quem tomou a iniciativa de lhe puxar a peruca quando ela ia a subir para o autocarro com ele ao colo e lá entrou ela para dentro do transporte público de peruca à banda e filho a reboque. E achas que ela se atrapalhou? Claro que não, ainda de filho ao colo, puxou o resto da peruca arrancando-a pela raiz, se é que se pode falar de raiz num caso destes, e com a dignidade possível colocou a peruca dentro de um saco que trazia consigo. Fez o resto viagem sem peruca e aquele miúdo ao colo, mas imagino que com muita vontade de o meter também dentro do saco...

Beijo Enorme

R

P.S. História baseada em factos muito reais. Demasiado reais para a minha pobre Mãe.

Teresa disse...

Bela história, Rui. Tens razão, de certeza que a tua mãe queria enfiar-te no saco com a peruca. Não vou dar essa hipótese à Joana, até porque eu não sou tão corajosa. Bjs.