terça-feira, 10 de março de 2009

Leituras

'Demorei muito a pensar em mim, nos meus verdadeiros desejos e nas minhas verdadeiras aspirações mas, quando isso aconteceu, já estava presa a muita coisa que me custava a destruir. Não sei se isso acontece a muita gente. Acho que não, que a maior parte das pessoas não se preocupa em saber o que é e por isso não põe no mundo a riqueza que lhe poderia dar, que era o bocadinho da sua individualidade. Acomodam-se ao que está, como se tudo fosse mesmo assim. Dos que dão por isso, há os que ficam resignados mas muito ressentidos. E eu não gosto de ressentimentos porque fazem a gente ficar muito feia: não há nada mais feio do que uma velha ressentida a querer vingar-se do que não conseguiu viver. Mas tenho uma certa simpatia por aqueles que, quando descobrem o engano, ainda arranjam coragem para recomeçar outra vida... (...) Às vezes a gente não sabe se faz as coisas por causa da nossa força ou por causa da nossa cobardia.'
Tia Suzana, Meu Amor, António Alçada Baptista

6 comentários:

Anónimo disse...

Gostei muito de te ver. Estás com óptimo aspecto e ainda consegues animar as pessoas com a tua boa disposição. A Pocahontas hoje ficou muito contente.
Obrigado Teresa.

Um beijo

São

Fipas disse...

Eu acho que há mais gente assim do que pensamos! Grande pedaço de texto, obrigada pela partilha!

Anónimo disse...

Fazemos o que somos capazes e quando somos capazes... verdade que poucas vezes damos o nosso melhor, ou exploramos o nosso potencial, ficamos presos ao que somos, só porque sim... é o deixa andar... nada pior que olhar para trás e dizer, ou pensar... eu podia ter feito, eu podia ter sido... recomeçar é sempre bom e um direito que devemos exercer, por nós, pela nossa vida que infelizmente não dá direito a ensaios. Aprender com o que fizemos ou não,e deixar ressentimentos de parte, enquanto cá estamos há sempre muito que podemos fazer e mudar, quanto mais não seja a nossa cabeça e a forma como vimos as coisas.
Obrigada mais uma vez, por seres assim, e seres minha...
Beijos muito grandes mana Grande
m

Anónimo disse...

Que grande sorte tem quem te tem T.!
Este bocadinho de texto que nos deixaste traduz o conflito por que passo neste momento.
Abençoado seja o que não pensa, não se interroga;
Dou-me conta desta necessidade de mudança, de assumir mais um bocadinho de quem sou porque não sou sempre igual. O eu que eu fui, não é nem mais nem menos verdadeiro do que o eu que eu sou agora, apenas são diferentes um pouco porque nada se mantém, antes se transforma.
É dolorosa esta assumpção pela muita coisa que nos prende e as outras que também nós prendemos, e que teremos de destruir;
Eu também não gosto de ressentimentos mas dou por mim azeda e ressentida a cada dia que passa e sem coragem de dar o passo e recomeçar, mais uma vez.
Fazes-me pensar T.

Um beijo do tamanho do Mundo.

Sininho
E.R.

Anónimo disse...

Palavras sábias...
A.

Ninia disse...

O Alçada Baptista escrevia passagens como esta: sábias, simples, dificeis de tão óbvias, com um bom senso por vezes até ameaçador.
Tem um livro que recomendo "O Riso de Deus", que é um dos melhores livros que li e que me acompanha para todo o lado.
Alguns críticos diziam que ler diferentes livros do Alçada Baptista era como regressar sempre à continuação do conforto do livro anterior.
Para mim, é mais simples: era como se ele estivesse a escrever sempre o mesmo livro. E isso não é sempre necessariamente positivo.