quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O espírito dos grupos. Ou a falta dele

Faço parte da um grupo no Facebook que engloba umas largas dezenas de mulheres com cancro da mama e algumas amigas que, apesar de não passarem pelo mesmo, vivem ou viveram situações de proximidade com a doença.
Também estou num grupo de jornalistas, em que nunca participo, mas adicionaram-me e deixei-me ficar. Neste, são mais de mil membros. 
A única semelhança entre os dois, que se dizem de partilha e união entre pessoas com os mesmos dilemas na vida, é exatamente o seu oposto: a agressividade com que as pessoas se podem tratar, a incapacidade de aceitarem a opinião do outro sem melindres, a intolerância com que são recebidos alguns pontos de vista... (Tenho lido coisas do outro mundo entre camaradas de profissao)

Ontem, uma das amigas explodiu e revelou a sua falta de fé em curas e milagres (como eu a compreendo). Veio outra (uma amiga  com energia movida a pilhas Duracel) e "acusou-a" de não estar no "espírito do grupo", um conceito vago mas que pelos vistos quer dizer que para termos fé e esperança no combate ao cancro devemos optar por não ver o que se passa à nossa volta. Há muitos bons exemplos de sucesso, sim, é neles que nos devemos concentrar quando nos faltam as forças, é verdade, mas ainda há dois meses perdi duas amigas e tenho tido conhecimento de mais umas quantas pessoas que morreram em menos de um ai. 
Com isto não quer dizer que não concorde com uma atitude positiva, é óbvio que é a melhor, mas nós não somos de ferro, somos de carne e osso, e temos cabecinha para pensar. 
Uma das amigas, "sócia-fundadora" do grupo deixou-o há quase uma semana. E, até agora, ainda ninguém reparou...

Como sempre na vida, prefiro outro tipo de grupos, o dos amigos de verdade, que reparam quando não aparecemos, que nos deixam dizer todos os disparates que nos ocorrem (e são tantos...) e no fim, estão sempre lá e gostam sempre de nós, tal e qual como somos. 

T.

Do grupo dos jornalistas nem vale a pena falar...

10 comentários:

angelina disse...

concerteza que temos que ver a vida e as coisas como elas são
o que acontece aos outros tambem nos pode acontecer a nos tanto o bom como o mau. embora cada um de nos tenha reações diferentes ninguem conheçe o dia de amanhã e ainda bem
tento viver o dia a dia o melhor que posso sem pessimismo mas tambem sem ilusões todos nos estamos de passagem nesta vida é a unica coisa que sabemos com certeza
beijinhos grandes
ai jasus eu escrevi tanta coisa lol

Suzel Cardoso disse...

TP eu, felizmente não pertenço ao grupo dos jornalista e sinto-me lisonjeada com as tuas palavras. É verdade que no grupo onde tu te sentes bem ninguém critica o próximo, todas respeitamos a opinião do outro e há apenas uma coisa que nos interessa - melhorar o ânimo da pessoa que, no momento se mostra sofredora, por forma a poder vir a melhorar a sua capacidade de luta. Beijos amiga e podes crer que estamos todas dispostas a tudo por ti e por todas as outras. Beijinhos

Lina Querubim disse...

Funciona como uma terapia. Serve para esclarecer dúvidas desde como fazer depilação depois de operada a um cancro de mama, até desabafos de como viver durante e após o cancro. Acho que é uma sala necessária, as mais "velhas" ajudam as mais novas com palavras de incentivo de quem entende melhor porque, passou pelo mesmo.
Beijinhos

Natália disse...

Teresa disseste tudo.
Não preciso comentar mais nada.
Beijinhos

gabriela disse...

Eu não posso falar muito, porque por x não sei como comentar mas de uma coisa eu tenho a certeza temos que respeitar as ideias de cada um, ou já se esqueceram uma por todas e todas por uma. Beijokas querida Teresa e as rápidas melhoras

Ana Camões disse...

Os mal entendidos é do pior que ode acontecer... mas somos todas ADULTAS!!! E o grupo é necessário para trocarmos opiniões, para levantar o "astral" de quem esta mais em baixo... toca a arrebitar!!!
Beijocas

Graça disse...

Pois é prima, as pessoas tem que aprender a respeitar-se mutuamente, senão os problemas irão continuar.
E se há alguém que sai de "mansinho" e ninguém dá por nada, ninguém sente a falta... é porque essa pessoa estava lá a mais, se calhar já deveria ter saído há mais tempo, não achas?
Beijinhos prima, e continuação de boa recuperação

Teresa disse...

não, não acho, prima

Guida Palhota disse...

Olá, TP!

Estive praticamente uma semana fora das conversas no Face e fiquei perplexa ao ler uma espécie de novela acerca de saídas e entradas de membros do Gang no grupo privado.
Li durante imenso tempo, mas não me lembro de encontrar aquilo a que te referes... Terei lido mal? Terão retirado posts?
Sinceramente, as respostas a estas minhas questões não as considero importantes, pelo que não vou voltar à leitura, armada em detetive.
O que me parece mais natural é que, num grupo com tanta gente, haja várias opiniões, algumas delas até opostas, sobre este ou aquele assunto. E, a bem das regras da boa convivência, penso que é de evitar o uso de palavras ofensivas, mesmo quando se discorda, até porque verbalizar ideias contrárias é uma atitude prevista na democracia, mas ofender não.
Foi o tom ofensivo que me entristeceu, pois, quanto ao resto, parece-me que se esteve no uso do mais básico direito à liberdade de expressão, o qual deve merecer o respeito de todos.
Mas..., talvez haja meninas tão cansadas da sua condição de doentes que, não conseguindo ver um fundo ao túnel, revelem o seu descrédito relativamente a melhoras... e talvez outras, lutadoras diferentes, mais chegadas à ideia de que o mal já se foi ou pode ir-se, se houver pensamentos e atitudes positivas, estejam igualmente cansadas, pelo esforço de negação da impossibilidade. E, cansaço deste ou cansaço daquele..., terá sido o embate entre gente cansada que não permitiu o discernimento necessário para que se entendessem as posições contrárias como posições de direito.
É pena quando isto acontece, mas não penso tratar-se de tragédia irremediável. O que pode é fazer com que certas pessoas se cheguem mais a umas e se afastem de outras, clarificando-se, assim, quem é que é AMIGO de quem, no seio de um grande grupo de conhecidas. Tudo normal, afinal de contas, porque me parece que já está mais do que provado que o número de AMIGOS que cada um de nós tem na vida não tem rigorosamente nada a ver com grandes grupos...

Um beijão para ti, Teresa e o meu desejo de que a tua recuperação seja total e serena.

Anónimo disse...

Como gostei deste teu texto e, como concordo com a Guida mas não totalmente. É verdade que todas temos olhos e cabeça para ver o que se passa, esta doença mata, mata sim! Este é um grupo de partilha, de partilha dos bons e maus momentos, do que gostamos e não gostamos e essa liberdade de o dizer, de dizer o que se sente, não deve nunca ser cortado. A quem o diz, há de convir que pode ouvir montes de opiniões contrárias, distintas, nunca ofensivas...isso, nunca! Dizer o que sentimos é um pressuposto da existência do grupo que mais não foi do que uma extensão dos blogues, algo abandonados e nesses, cada uma de nós é rainha do seu pensamento, sentir e palavra. Respeitamos a forma de estar de todas e, a quem se sente desmoralizada, damos o apoio que é possível. Aprendi com este grupo a saber apoiar e, fundamentalmente a gostar de apoiar! Com algumas,estabeleci laços de amizade que, hoje acredito, vão perdurar e isso conforta-me. Se eu o sinto, andando nestas paragens há uns aninhos, como permitir q ele se desfizesse porque houve uma troca de palavras mais rijas! Ah, não, para quem começa, o gang é um porto de abrigo!
Beijos
TM