domingo, 2 de outubro de 2011

Posso dar-lhe uma palavrinha?

As palavras às vezes não servem para nada.
E se eu gosto de palavras... a minha vida é feita delas, desde que, ainda muito nova, enchia cadernos e cadernos com histórias fictícias e relatos da minha vida real. No emprego da minha mãe, no tempo em que os filhos dos empregados faziam parte da mobília, se podia mexer em tudo e gastar o que nos apetecesse, passava o tempo livre a preencher impressos para mim e todos os outros miúdos, os amigos de então, que ali se reuniam depois da escola. Das primeiras a saber juntar palavras, e a fazê-lo com gosto, fartava-me (sem nunca me fartar) de ler as Lições do Tonecas, com eles à frente em roda, rindo-se repetidamente das piadas, para meu deleite. Eram momentos felizes. Em casa, continuava, para a minha mana João, quatro anos atrás na aprendizagem das letras.
Aos dez, doze anos, já tinham marchado Eça e Camilo, as colecções das lombadas verde e vermelha, do Círculo de Leitores. Comecei a frequentar bibliotecas ainda no ciclo preparatório, até hoje não as deixei... E nos anos seguintes, devorei praticamente todas as muitas obras literárias que havia em casa.  Infelizmente, não sou tão culta quanto gostaria. Falhei muitos clássicos internacionais que, sem conhecer, me fazem tanta falta.
Continuei a escrever. Sempre a medo mas sem mais parar...  Talvez tenha caído no erro de, quando preciso de me expressar à séria, recorrer à escrita, em detrimento da palavra dita...  São ainda muitas as letrinhas que ficam presas na garganta e se transformam, logo ali, em páginas por escrever... E outras que, mal ditas (por vezes malditas mesmo) passam a lixo imediato.
As palavras às vezes não servem para nada. Especialmente quando ficam por (bem) dizer...

T.

7 comentários:

Lina Querubim disse...

Tu não deixas muitas palavras por dizer, és muito terra á terra.
Eu gosto!
Beijinhos

Marina da Silva disse...

Teresa,
Bom ler seu texto! Quando digo que escrever é bom nem sempre esclareço que não é necessariamente desabafar sobre a doença. Gostei desta sua escrita, uma crônica leve que reforça o que penso, que palavras são importantes, ditas, escritas, cantadas e mesmo mudas num olhar, gesto, num sorriso incontido ou disfarçado! Gostei do seu post. Abraço e se suas palavras são estas, siga em frente! Abç. Marina.Brasil

Ana Camões disse...

Diz tudo que te vai na alma!!!
Quando não puderes dizê-lo em voz alta... escreve.. que fazes isso tão bem!!! :-)

Beijinhos e boa recuperação!!!

Anónimo disse...

knock knock, just checking on you. Eu gostava mais do anjo, mas essa boneca aqui tem tudo de um! Gosto de te ler, qualquer coisa que voce escreve porque vem d'Alma. Penso em voce, ml

Anónimo disse...

As palavras às vezes não são necessárias, outras vezes essenciais... quando ficam por dizer, muitas vezes é porque não estávamos preparados para as dizer... outras porque não tivemos tempo, ou coragem... de qualquer maneira as palavras são apenas palavras... e nós somos apenas pessoas... como diz a minha terapeuta... não há super heróis!! é uma pena...
Milhões de beijos mana, não te preocupes com as palavras, dá abraços, beijos e beijinhos, e mesmo que por vezes seja difícil pensa em palavras bonitas com um final feliz!
AMO-TE muito sabias?! Claro que sim...

Madalena disse...

Lindo, lindo, lindo!!!!!! Tu és mesmo especial, TPzinha. Quando não souberes a quem é que hás-de dar uma palavrinha, diz que eu "apanho" e guardo!!!!
Beijinhossssssssssssssssssssssss

maguie disse...

beijinhoss grandes, amiga
..